Por: Lenin Tremont Franco.
Na manhã deste 13 de maio, realizou-se um encontro fecundo de pensamento, sensibilidade acadêmica e construção coletiva do conhecimento. Pesquisadoras, pesquisadores e profissionais de diferentes países da América Latina participaram de uma nova sessão do Grupo de Assessoria Colaborativa: Epistemologia Qualitativa e Metodologia Construtivo-Interpretativa, um espaço formativo coordenado pela Dra. Maristela Rossato e pelo Dr. José Fernando Patiño-Torres, da Universidade de Brasília.

Mais do que uma aula convencional, a jornada foi vivida como um laboratório latino-americano de interpretação. Na sala virtual circularam perguntas, gestos de atenção, intervenções, dúvidas, análises e entusiasmo acadêmico. A ciência apareceu ali não como uma prática fria ou distante, mas como uma experiência viva, dialógica, rigorosa e profundamente humana.

O encontro foi dedicado ao Processo de Construção Interpretativa: produção de indicadores e hipóteses, tema previsto no cronograma do grupo para o dia 13 de maio. Esta sessão integra uma trajetória de trabalho iniciada em 11 de março, com o valor da Epistemologia Qualitativa para a pesquisa e a prática profissional com a subjetividade; continuou em 25 de março, com a Metodologia Construtivo-Interpretativa, o problema de pesquisa e os objetivos; avançou em 15 de abril, com os recursos, instrumentos, campo e participantes; e aprofundou, em 29 de abril, a criação e manutenção do cenário social, o processo de produção das informações e a lógica configuracional da pesquisa.

Sob a condução acadêmica da Dra. Maristela Rossato e o acompanhamento intelectual do Dr. José Fernando Patiño-Torres, o grupo abordou um dos núcleos mais exigentes da Metodologia Construtivo-Interpretativa: compreender como são produzidas as conjecturas, os indicadores e as hipóteses no processo investigativo. A sessão permitiu reconhecer que interpretar não é uma ação final nem decorativa, mas uma prática permanente que acompanha todo o percurso da pesquisa.

Um dos momentos mais significativos foi a apresentação, conduzida pela Dra. Maristela Rossato, de um caso prático por parte de Taysa Brasil, que ofereceu uma situação concreta para a análise coletiva. A partir desse exercício, os participantes trabalharam a relação entre conjecturas, indicadores e hipóteses, compreendendo que esses elementos não funcionam como etapas mecânicas, mas como construções interpretativas que emergem do trabalho ativo, sensível e teoricamente orientado do pesquisador.
A experiência permitiu reafirmar uma ideia central desse enfoque: a pesquisa não se reduz à coleta de dados, mas implica a produção interpretativa de informações. Nessa perspectiva, os indicadores não são evidências fechadas; são produções que orientam sentidos. As hipóteses não são afirmações rígidas; são construções teóricas em movimento. E as conjecturas não são simples suspeitas, mas aberturas criativas para pensar a complexidade da subjetividade.

A riqueza do encontro também esteve em sua diversidade. Participaram, entre outros, Bruno De Oliveira Sales, Delani Marcele, Giselle Lara, Glauber Soares Costa Marinho, Jamilly Azevedo, Lisbet Pérez, Maria Eduarda Roberti, Melany Alisson Flores, Paulo Roberto De Sousa, Reynaldo Ruddy Bustinz, Ruth Mariori Quispe, Vilma Garrido Riquenes, Yeison César Montoya, junto à Dra. Maristela Rossato, ao Dr. José Fernando Patiño-Torres, a Taysa Brasil, à Dra. Nelly Hodelín Amable e ao Dr. Lenin Tremont Franco, estes últimos docentes da Universidade Bolivariana do Equador.
O espírito participativo da jornada conectou-se com uma das ideias fundamentais trabalhadas em sessões anteriores: o cenário social da pesquisa não é simplesmente um espaço físico, mas uma trama subjetiva na qual se constroem relações, confiança, compromisso, contradições, posicionamentos e novas possibilidades de conhecimento.
Desde a Cumbre Científica Radio, esta experiência é reconhecida como uma mostra luminosa da ciência latino-americana em movimento. Uma ciência que dialoga, se tensiona, pergunta, interpreta e se constrói a partir da cooperação acadêmica. Nesse espaço, o conhecimento não aparece como uma resposta acabada, mas como uma produção viva, coletiva e aberta.
A participação de acadêmicos de diferentes países confirma a importância de fortalecer redes regionais de pensamento, pesquisa e formação científica. Nesse horizonte, a presença de docentes da Universidade Bolivariana do Equador soma-se a uma comunidade latino-americana comprometida com uma pesquisa qualitativa mais humana, crítica, rigorosa e socialmente pertinente.
A Cumbre Científica Radio celebra esta jornada como uma verdadeira festa do pensamento: um encontro em que a América Latina pesquisou, dialogou, aprendeu e desfrutou o ato profundamente humano de construir conhecimento com os outros.